sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Navegando com emoção


Quando adquiri o Mangalarga, ele se encontrava na Marina Porto do Sol, no canal de Bertioga, bem próximo da estação de embarque da balsa. Por lá fiquei uma boa temporada, até que resolvi mudar para a Marina Boreal, que fica no canal do estuário de Santos, no CING, bem próximo do conhecido Pier 26.
Passados dois anos, fazendo geralmente velejadas curtas na baía de Santos, o cenário começou a me parecer rotineiro. Isso, aliado ao fato de que a direção da marina começou a criar dificuldades para manter a subida semestral do veleiro, para raspagem de cracas e pintura de fundo, me levou a buscar outro endereço. Acertei com a Pier XV, no canal de Bertioga.
Às 09:30h de 10/11/10, com ajuda do sempre fiel marinheiro Chico,  que colocou o motor, preparamos o barco e fizemos o check-list de saída.  Dia nublado, bons ventos e partida no horário. Vento de proa na saída do canal e quase 3 horas para vencer a maldição da Ilha da Moela com mar grosso, muitos carneiros e borrifos frequentes. Com o veleiro atravessando nas ondas, quase desistimos na altura da Ponta Grossa.  Na praia das Astúrias, abrimos 1/3 da genoa e a velocidade aumentou de 3,8 para 4,8 nós no GPS. O vento rondou temporariamente para SE e chegamos à Ilha das Cabras com um través pouco confortável em mar grosso, com chuva forte e ondas de 1,5m a cada 9 segundos, que serviram para mostrar o quanto é marinheiro o casco do velho Atoll23 que, caturrando e balançando, deu conta do recado. Resolvemos encarar o mar de frente. Enrolamos a genoa e seguimos motorando, deixando a Ilha do Arvoredo por bombordo, com muitas ondas de mais de 1,5m que literalmente nos davam seguidos banhos.  Fizemos o transbordo de combustível para completar o tanque, uma vez que os frequentes bordos estavam encompridando a nossa derrota e, em função das circunstâncias, manteríamos o motor funcionando. Estávamos completamente molhados e com mais de 4 horas do tempo previsto em apenas 2/3 do trajeto. O tempo oscilava bastante, ora clareando um pouco, ora fechando com chuva fina que reduzia e visibilidade e recomendava o uso frequente do GPS. Na altura do Perequê, o vento voltou a SW e passamos a surfar com a genoa novamente a 1/3, chegando a 8,2 nós no GPS. Em pouco mais de uma hora, ultrapassamos a Ilha do Guará, Iporanga, Praia Branca e entramos na Ponta da Armação, contornando a Pedra do Corvo. Com vento frio e uma chuva fina na cara, entramos no canal e chegamos ao destino apenas uma hora além do previsto. Molhados, cansados, com adrenalina lá em cima, pegamos a poita, amarramos o Mangalarga de popa no píer e desembarcamos felizes com o sabor de vitória que teve a aventurosa travessia.
Dois dias se passaram até que eu pudesse retomar a rotina normal. As dores no corpo também foram diminuindo com analgésico e relaxante muscular. A adrenalina voltou ao normal e eu estou bastante orgulhoso de ter me saído bem ao por em prática manobras muito estudadas, mas raramente praticadas.
Confesso que passei a admirar ainda mais a expressão, às vezes jocosa,  que se refere ao mar calmo, como “mar de almirante”.
É isso ai, gente!

3 comentários:

  1. Descrição enxuta, mas clara!
    Bela saga amigo!
    Parabéns: mais que valeram o cansaço e dores no corpo.
    Abração,
    Flavio

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  2. Hei!
    Não sei como cancelar este ráio de Expats Brazil!
    A postagem deveria aparecer como flavio.musa@gmail.com...

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